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Presente para Roberto - escrito por Gláucia

 Oi, pessoas! Como estão? Por aqui tudo bem, e vamos ao nosso texto da semana.

Somos duas almas que decidiram se unir para atravessar juntas os caminhos da vida. Nem sempre são fáceis, mas quando estamos lado a lado, o apoio se torna mais forte e o fardo mais leve. Temos a semelhança de sermos pessoas muito racionais, mas também algumas diferenças marcantes — e entre elas, a diplomacia e a forma distinta de enxergar o mundo.

Na diplomacia, somos quase opostos: eu, calma, observadora e estratégica; ele, visceral, colérico e resolutivo. Fizemos um acordo simples, mas poderoso: conversar sempre quando estivermos tranquilos e escolher com cuidado as palavras. E tem funcionado.



#ParaTodos foto do casal Gláucia e Roberto no Rio de Janeiro em Novembro de 2023.

Quanto à maneira diferente de ver o mundo, darei um exemplo: Lembro de uma experiência no Rio de Janeiro, no início das nossas férias de 2023. Roberto precisou provar que era ele mesmo quem havia feito a reserva de um hotel. (Observação: Roberto faz parte de um grupo promocional desta rede de hotel há anos.). Ou seja, ele tinha que mostrar o cartão que realizou a reserva entretanto cartão de crédito dele, havia apenas a bandeira do cartão, logotipo do banco e o chip. Não tinha nome impresso e isso gerou uma confusão enorme.

Depois de tudo resolvido, hospedamos no rio, depois seguimos viagem para outros destinos e uns 15 dias depois, já em São Paulo, decidi conversar com ele sobre o episódio. Perguntei:

  • Quantos anos você viaja e se hospeda nessa rede? Vários.

  • Quantas vezes precisou provar que era você quem fez a reserva? Nenhuma.

  • Quantas vezes viajou com uma namorada negra?

Ele entendeu onde eu queria chegar e não respondeu. Então expliquei: é nesse lugar que mora o racismo no Brasil. Um procedimento aparentemente normal, mas que, pela desconfiança, fiscaliza de forma diferente, criando um desconforto que não deveria existir.

Roberto ficou bravo, pois acreditava que eu não deveria ter contido sua reação naquele momento. Posteriormente, escreveu uma carta à rede de hotéis e recebeu como resposta que aquilo era um procedimento específico daquele estabelecimento, acompanhado de desculpas e da afirmação de que a rede possui políticas contra o racismo e a favor da diversidade.

E seguimos com nossas diferenças e semelhanças: eu, curtindo Djavan; ele, Fábio Júnior. Mas sempre certos de que queremos o melhor um para o outro e que desejamos continuar juntos, nos amando e respeitando.

Esses foram os nossos primeiros cinco anos. Que venham muitos outros, cheios de momentos e aprendizados compartilhados.


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