Pular para o conteúdo principal

Entre o pace e o medo: a corrida das mulheres

⚘Oi pessoas!

Tudo bem com vocês?
Eu estou bem, no estilo “Zeca Pagodinho”, deixando a vida me levar. Esses dias vi um vídeo (link abaixo) do Wallace Gusmão que acordou cedinho e foi correr. Sensacional! Ele percorreu 33 km de São Mateus até a Paulista, em São Paulo, com um pace incrível (Link abaixo).  Eu não corro 33 km e nem chego perto do pace do Wallace, mas sempre que decido correr algumas coisas me vêm à mente:
 - A  roupa precisa estar adequada;
 - O lugar tem que ser seguro;
 - Nunca saio antes das 6 da manhã.
Mesmo assim, durante o caminho, surgem várias inseguranças — tanto com pessoas quanto com os trajetos. Não quero soar vitimista, afinal, se fosse assim eu nem correria. Mas é fato: para mulheres, a corrida vai além de um esporte, é também um desafio.

#ParaTodos - A foto mostra uma mulher jovem vista de costas enquanto corre sozinha por uma estrada sinuosa à beira-mar. Ela está no lado esquerdo da imagem, em pleno movimento de corrida, com um pé no ar.A composição passa uma sensação de tranquilidade e determinação, com o horizonte aberto reforçando a ideia de jornada e bem-estar. (foto gerada via IA).

O Wallace saiu ainda de madrugada, correu sozinho até a Paulista, não demonstrou nenhuma preocupação com sua segurança e terminou o treino tranquilo, voltando de metrô. Ponto. Agora, em outro vídeo, a Bruna Ianhez — corredora experiente e ultramaratonista que fez um vídeo com o propósito único de mostrar suas inseguranças durante o treino simplesmente por ser mulher. (Link abaixo)
Momento de dados:
Um estudo da Adidas, realizado entre 17/12/2022 e 06/01/2023 com 9.000 pessoas de 16 a 34 anos em nove países (Japão, China, Reino Unido, EUA, México, Emirados Árabes Unidos, França, Alemanha e Coreia do Sul), revelou que:
- 92% das mulheres têm medo de ser assediadas;
- 51% têm medo de serem atacadas fisicamente.
Entre as que já foram assediadas;
- 56% receberam atenção indesejada;
- 55% ouviram comentários sexistas ou de cunho sexual;
- 53% foram alvo de buzinas;
- 50% chegaram a ser seguidas.
Ou seja: o medo é real e o problema também.

E em resumo, a rua é segura apenas para um gênero. O outro precisa arrumar companhia, escolher horários mais seguros, vestir as “roupas certas” e tentar passar despercebido para praticar o esporte. E você, o que pensa sobre isso? Consegue imaginar alguma solução para tornar a corrida mais segura para as mulheres?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Entre ancestralidade e autoconhecimento

  Olá, pessoas! Como vocês têm passado? Eu sigo na busca pela rotina perfeita — e vocês? Sempre carreguei comigo uma gratidão imensa pela minha ancestralidade (afinal, sou fruto das pessoas que os tubarões não comeram — referência ao livro Escravidão , de Laurentino Gomes). Ao mesmo tempo, sempre tive um patriotismo muito forte e um prazer enorme em ser brasileira, desejando o melhor para o Brasil e para os brasileiros. Quando surgiram os testes de DNA que revelam a cadeia ancestral por países, achei que não valia a pena investir em algo que eu já “sabia”: sou fruto da diáspora africana, do sequestro dos meus ancestrais. Não faria sentido pagar para confirmar isso. Mas dois motivos mudaram minha visão: 1. Um amigo fez o teste e descobriu que sua maior ancestralidade vinha do leste da África — Moçambique, Quênia, Tanzânia. Eu nunca tinha imaginado essa rota, sempre associei os negros brasileiros da diáspora ao oeste africano (Angola, Nigéria, Benin, Senegal, Togo). Essa descoberta d...

Presente para Gláucia - escrito por Roberto Vaver

  Apesar de vir de uma família de pessoas brancas, convivi com pessoas negras desde a minha infância, mas pode ficar tranquilo que eu não partirei para o famoso clichê “não sou racista, até tenho amigos negros”, porque tenho consciência que a proximidade pessoal com pessoas negras não elimina o racismo que existe em nossa sociedade e que todos nós carregamos, mas o fato é que sempre convivi com pessoas negras, aprendendo a respeitar e a admirar estas pessoas, por serem pessoas dignas de respeito e admiração, independentes da cor da sua pele. A minha mãe sempre cobrou de mim que pedisse a benção a algumas pessoas negras que ela tinha em alta consideração e respeito, uma delas, inclusive, ela me ensinou a chamar de “vó” desde pequeno (“vó Dulce”), porque ela a considerava como uma mãe, por tê-la ajudado muito quando do nascimento de meus irmãos mais velhos e pela admiração que tinha por ela. Agora a Gláucia me pediu (como presente de aniversário....) que escrevesse um texto sobre c...

Entre Café, Dados, Prosas e Decisões Cotidianas

Afim de um café e uma prosa sobre gêneros? Escrever sobre desigualdade de gênero quando se tem lugar de fala me gera bastante receio de parecer vitimista. Mas aqui, o objetivo é outro: expor a realidade com honestidade e buscar caminhos possíveis para transformá-la. Sou mãe de um casal de adolescentes incríveis, e a vida me ensinou que educar com consciência de gênero é essencial. Não se trata de reforçar estereótipos, mas de reconhecer que meninos e meninas enfrentam desafios diferentes — e precisam de orientações específicas para lidar com o mundo e com os relacionamentos. Por exemplo, com meu filho, a conversa sobre segurança começa com a violência urbana, que estatisticamente atinge mais os homens. Já nos relacionamentos, ensino que ele deve tratar as meninas como gostaria que tratassem sua irmã. Falo sobre reciprocidade, respeito e limites, e que amor não combina com abuso — nem como vítima, nem como autor. Com minha filha, a segurança aparece desde cedo: na escolha da roupa...