Afim de um café e uma prosa sobre gêneros?
Escrever sobre desigualdade de gênero quando se tem lugar de fala me gera bastante receio de parecer vitimista. Mas aqui, o objetivo é outro: expor a realidade com honestidade e buscar caminhos possíveis para transformá-la.
Sou mãe de um casal de adolescentes incríveis, e a vida me
ensinou que educar com consciência de gênero é essencial. Não se trata de
reforçar estereótipos, mas de reconhecer que meninos e meninas enfrentam
desafios diferentes — e precisam de orientações específicas para lidar com o
mundo e com os relacionamentos.
Por exemplo, com meu filho, a conversa sobre segurança
começa com a violência urbana, que estatisticamente atinge mais os homens. Já
nos relacionamentos, ensino que ele deve tratar as meninas como gostaria que
tratassem sua irmã. Falo sobre reciprocidade, respeito e limites, e que amor
não combina com abuso — nem como vítima, nem como autor.
Com minha filha, a segurança aparece desde cedo: na escolha
da roupa, nos lugares que frequenta, nas interações sociais. E, claro, nos
relacionamentos, o foco é autonomia, autoestima e proteção emocional. O gênero,
como vemos, muda tudo — inclusive a forma como educamos.
Li essa semana o seguinte estudo: o Ranking das Piores Cidades para Mulheres, realizado pela consultoria Téwa 225. O levantamento analisou 319 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, incluindo todas as capitais, e utilizou como base o Índice do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) – Igualdade de Gênero, da Agenda 2030 da ONU.
Os índices avaliados foram:
- Taxa
de feminicídio por 100 mil mulheres
- Desigualdade
salarial entre homens e mulheres
- Representatividade
feminina nas câmaras municipais (2020–2024)
- Taxa
de jovens mulheres (15 a 24 anos) que não estudam nem trabalham (NENT)
- Diferenças
entre homens e mulheres em situação de vulnerabilidade, com recortes por
raça, bioma, economia regional e outros fatores sociais
Piores cidades:
Melhores cidades:
Logo, a igualdade de gênero ainda é um ideal distante, mas medir, entender e educar são passos fundamentais para chegar lá. Criar filhos com consciência, abrir espaço para conversas difíceis e cobrar políticas públicas eficazes são atitudes que podem moldar um futuro mais justo, seguro e igualitário para todos — independentemente do gênero.
Aconselho vocês a lerem o estudo quando tiverem tomando um cafezinho quentinho. Inté.
Fonte: Piores Cidades Para Ser Mulher


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