Pessoas queridas, tudo certo por aí? Já pularam bastante carnaval ou ainda estão só aquecendo os tamborins?
Por aqui, sol brilhando, café quentinho e uma reflexão que veio do nada — ou melhor, veio de um filme incrível: Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) **contém spoiler** Ambientado nos anos 60, ele conta a trajetória de três mulheres negras brilhantes na NASA: Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson. Histórias reais, inspiradoras e cheias de coragem.
Agora, segura essa: Katherine Johnson, a mente que calculou a trajetória do voo de Alan Shepard (o primeiro americano no espaço), que ajudou na missão Mercury, no Apollo 11 e até traçou rotas de emergência para astronautas… tinha que atravessar o campus da NASA só para ir ao banheiro. Isso mesmo: não havia banheiro para não brancos dentro do prédio. Sol, chuva, correria, e a genialidade dela sendo interrompida por uma barreira absurda. Até que seu chefe, finalmente, percebeu o motivo dos atrasos e soltou a frase que virou símbolo: “Na NASA, a urina é da mesma cor.”
#ParaTodos - A imagem mostra uma placa histórica com os dizeres “COLORED WAITING ROOM” (Tradução: Sala de espera para negros), acompanhada de setas apontando em direções opostas. Esse tipo de sinalização era usado durante o período das leis de segregação racial nos Estados Unidos (era Jim Crow), indicando espaços separados para pessoas negras em locais públicos, como estações ou prédios. Esta fotografia é considerada de domínio público, pois faz parte de registros históricos que documentam práticas de discriminação institucionalizada e ajudam a compreender a luta pelos direitos civis e pela justiça social.
Corta para o Brasil. Aqui não temos segregação explícita, mas a velada dá seus pulos. Quer um exemplo? O primeiro banheiro feminino no plenário do Senado só foi projetado em… 2016. Sim, você leu certo. Até então, senadoras e visitantes precisavam ir até o restaurante anexo para fazer suas necessidades. O banheiro só saiu do papel graças à PEC da Mulher (PEC 98/2015), fruto da luta de várias parlamentares. A “Casa do Povo” mostrando, na prática, para qual povo foi pensada.
E aí vem a pergunta que cutuca: por que você conhece a história americana dos anos 60, mas não a brasileira de 2016? Porque há lugares que expõem os problemas, contam as histórias e buscam soluções. E há outros que preferem esconder, resolver só o que não dá para evitar e fingir que o resto não existe.
Mas seguimos. Afinal, carnaval é também sobre lembrar que a vida pode ser leve, mesmo quando o mundo é ainda espinhoso para alguns. Um beijo, um queijo e bom carnaval pra você! Gláuccia!

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