Oi, pessoas!
Tudo bem por aí?
Hoje é Páscoa e eu desejo que o dia de vocês tenha gosto de chocolate (para quem gosta; e para quem não gosta, que seja um doce especial qualquer). Mas como a ideia aqui é falar de temas espinhosos de um jeito leve… vamos ao assunto danadinho de hoje.
Sou negra e, muitas vezes, escuto que “não existe racismo no Brasil”. Será mesmo?
A sutileza é o grande protagonista dessa história, e eu quero mostrar como ela aparece no dia a dia.
Segundo Lia Vainer Schucman, no livro Entre o Encardido, o Branco e o Branquíssimo, no Brasil negros e indígenas são vistos como tendo “raça”, enquanto os brancos são considerados a norma. Ou seja, são eles que estabelecem o padrão de fenótipo, cultura, moral, justiça, religião… e os demais precisam se adequar.
É por isso que não soa estranho para muita gente dizer, achando que é elogio: “Fulana é mais bonita que muita menina branca.” Percebe quem é o padrão? Essa comparação revela uma hierarquia estética que, na verdade, se espalha para várias dimensões da vida e da cultura.
Outro exemplo recente: em um canal de notícias, uma jornalista descreveu os participantes de uma missão da NASA como “um homem, um negro e uma mulher”. Opa…
Aqui cabe lembrar Franz Fanon, que em Pele Negra, Máscaras Brancas (1952) escreveu: “O homem negro não é homem.” Ele mostra como o racismo desumaniza e inferioriza, deixando claro que há perfis considerados plenamente humanos… e outros nem tanto.
Legenda Abaixo.
E não é só na prática que isso aparece. Em 2020, o Atlas Político fez uma pesquisa com 1.764 entrevistas. O resultado foi:
- 90% acreditam que existe racismo no Brasil;
- 97,5% dizem não ser racistas.
Curioso, não?
Se realmente não houvesse racismo, não faria sentido haver comparações, invisibilização, desumanização ou inferiorização entre raças. Mas esses exemplos mostram que ele está presente — ainda que de forma sutil.
E apesar de tudo isso, também existe resistência e afeto. Antes de terminar, quero deixar um trecho do livro O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório, que fala sobre como sobreviver além do racismo:
“É necessário preservar o avesso, você me disse. Preservar aquilo que ninguém vê. Porque não demora muito e a cor da pele atravessa nosso corpo e determina nosso modo de estar no mundo. E por mais que sua vida seja medida pela cor, por mais que suas atitudes e modos de viver estejam sob esse domínio, você, de alguma forma, tem de preservar algo que não se encaixa nisso, entende? Pois entre músculos, órgãos e veias existe um lugar só seu, isolado e único. E é nesse lugar que estão os afetos. E são esses afetos que nos mantêm vivos.”
Fico por aqui, deixando um beijo, um queijo e um chocolate nesse domingo de Páscoa.
Fui.
Legenda: #ParaTodos A imagem se passa em um centro de comando da NASA, repleto de tecnologia e monitores. À esquerda, uma jornalista em um púlpito aponta para um grande telão que domina o fundo da sala.
No telão exibe o título "um homem, um negro e uma mulher": uma missão , três categorias. Abaixo, há um infográfico com pirâmides invertidas rotuladas como "Estrutura Social na Missão", sugerindo uma hierarquia de poder. Os Personagens Centrais: À frente do telão, três figuras representam as "categorias" mencionadas:"O Homem": Um homem branco, no centro, vestindo um terno formal cinza, simbolizando o padrão de liderança. "O Negro": Um homem negro ao lado dele, vestindo um blazer azul casual sobre uma camisa polo. "A Mulher": Uma mulher à direita, vestindo um blazer bege.
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