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Meritocracia - nunca vi, nem comi, eu só ouço falar....

⚘ Oi, pessoas! Tudo bem? Aqui está frio, mas tudo certo! ❄️

E aí, estão acompanhando a Copa? Eu adoro esse evento e sempre acho legal parar para torcer pelo Brasil. Mas nesta edição tem algo diferente: nos jogos que não são do Brasil, tenho assistido pela CazéTV (não, isso não é merchandising!). A diferença está na leveza e jovialidade da transmissão, mesmo sendo patrocinada pelas Bets como as demais emissoras.

Nessas transmissões, me surpreendi com um narrador multilíngue chamado Luís Felipe Freitas. Achei incrível! Vi um vídeo dele e, além das várias línguas que fala, duas coisas chamaram minha atenção: a humildade e o reconhecimento do privilégio. Ele contou que estudou em um colégio onde teve oportunidade de aprender alguns idiomas e outros estudou e os melhorou em viagens. Ou seja, uma realidade bem diferente da maioria dos brasileiros. Mas mérito dele: é uma verdadeira mosca branca! Nunca tinha visto alguém com tamanha habilidade linguística nas emissoras brasileiras.

Isso me fez lembrar de um momento da minha vida. Eu morava em Uberlândia, já formada, trabalhando em uma transportadora como terceirizada. O ambiente era legal, mas meu contrato era informal, sem carteira assinada. No início de 2003, decidi mudar para Brasília em busca de emprego formal e novas oportunidades.

Em Brasília, morei em um pensionato de freiras com outras meninas de Araguari e de diferentes lugares, todas na mesma situação: recém-formadas e tentando se inserir no mercado. Um dia, fomos visitar uma amiga de uma delas, assessora de um deputado de Araguari. Ela nos recebeu bem, surpresa por ver cinco moças da mesma cidade no gabinete. Mas logo percebi: sem formação, ganhava muito bem e só falava de gastos e ostentação. Profundidade? A de um pires.

Eu não tinha intenção de trabalhar na assessoria de deputados (sou da área de computação, nada a ver com isso), mas fui acompanhando as meninas advogadas, que poderiam contribuir. A assessora prometeu uma reunião com outros parlamentares.

Um mês depois, perguntei a uma das meninas o que tinha acontecido. Ela contou que a reunião ocorreu, mas a “amiga assessora” deixou claro como deveria ser a apresentação: “Venham bem vestidas, cabelos soltos, maquiadas… e a moça negra nem tragam, porque não tem chance de trabalhar aqui na Câmara.” (Sim, essa moça era eu).

Hoje não tenho amizade com nenhuma delas, mas sei que continuam em Brasília e região. Nenhuma trabalhou na Câmara.

Uai, Gláucia, qual a correlação entre o narrador da CazéTV e as meninas de Araguari?  Simples: qualquer uma daquelas meninas era mais preparada para ser assessora do que a “amiga assessora”. Ou seja, mérito não foi o critério utilizado  contratação de assessores daqueles parlamentares.

Então, vamos combinar? Corra atrás dos seus méritos entretanto pare de acreditar em meritocracia.

Um abraço, um beijo e um queijo!
Gláucia 


Fontes adicionais:
 - Video Luiz Felipe Freitas sobre idiomas: https://www.youtube.com/watch?v=bzTI-pu4NKM
 - Video tempero drag sobre meritocracia: https://www.youtube.com/watch?v=i55mUdtoLWM


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