Pular para o conteúdo principal

Treinar para melhorar

 

Desde março minha rotina virou de cabeça para baixo — e uma das mudanças mais marcantes foi o retorno ao home office. Curioso, né? Enquanto muitas empresas estão apostando no modelo híbrido, eu fui na contramão: voltei a trabalhar 100% de casa.

Muita gente ainda acredita que produtividade só acontece sob o famoso “olhar do chefe”, como se eficiência dependesse de vigilância constante. Mas, para mim, trabalhar em casa é sinônimo de produção, qualidade de vida e saúde. Antes, eu morava a 17 km do escritório e gastava 1 hora para ir e até 2h30 para voltar. Era outra cidade, outro ritmo, e no fim das contas, um desgaste enorme. Mesmo com um plano de academia oferecido pela empresa, eu raramente conseguia ir: nos dias em que não trabalhava no site, o corpo só pedia descanso.

As alternativas de transporte também não ajudavam. Fretado não valia a pena para apenas dois dias na semana, dirigir era cansativo e o transporte público parecia uma maratona: ônibus lotado, duas baldeações e, para completar, ainda precisava de táxi ou Uber até o trabalho. Resultado? Chegava tão exausta que qualquer motivação evaporava.


#ParaTodos - imagem é uma montagem visual que celebra a "ENERGIA & VITALIDADE" (escrito no centro). O lado esquerdo mostra dois profissionais sorridentes (um homem e uma mulher, em trajes de negócios) em uma mesa escura com laptops, cercados por gráficos e dados holográficos azuis, representando produtividade e tecnologiaO lado direito exibe um grupo de corredores felizes e vigorosos, correndo em uma rua larga de uma cidade ao pôr do sol, simbolizando vitalidade e esporteOs dois cenários se fundem no meio, sugerindo que a energia do esporte e a produtividade profissional caminham juntas.


Foi aí que percebi uma coincidência interessante: o verbo “treinar”. Ele aparece tanto no universo da inteligência artificial quanto na minha rotina pessoal. A IA treina para reconhecer padrões, tomar decisões e aprender com exemplos. Eu treino para manter meu corpo e minha mente funcionando em alta performance. E, assim como os algoritmos, eu também preciso de dados consistentes — no meu caso, tempo e energia — para evoluir.

Hoje, com o home office, consigo encaixar treinos matinais que fazem toda a diferença. Estudos já mostram que a academia é um dos melhores remédios para saúde e bem-estar, e eu sou prova viva disso. Apostei na musculação para força e na corrida para resistência, e o resultado é uma vitalidade que eu jamais teria se continuasse presa no trânsito.

E aí surge a reflexão: será que, no futuro, treinaremos a inteligência artificial para nos ajudar a conquistar mais qualidade de vida? Será que as grandes corporações estão realmente considerando o bem-estar dos colaboradores ao insistirem no retorno presencial?

Fica a provocação. Afinal, treinar — seja máquina ou ser humano — é sempre sobre melhorar. E eu, cá entre nós, já estou colhendo os frutos desse momento. Bora prosear sobre isso?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Entre ancestralidade e autoconhecimento

  Olá, pessoas! Como vocês têm passado? Eu sigo na busca pela rotina perfeita — e vocês? Sempre carreguei comigo uma gratidão imensa pela minha ancestralidade (afinal, sou fruto das pessoas que os tubarões não comeram — referência ao livro Escravidão , de Laurentino Gomes). Ao mesmo tempo, sempre tive um patriotismo muito forte e um prazer enorme em ser brasileira, desejando o melhor para o Brasil e para os brasileiros. Quando surgiram os testes de DNA que revelam a cadeia ancestral por países, achei que não valia a pena investir em algo que eu já “sabia”: sou fruto da diáspora africana, do sequestro dos meus ancestrais. Não faria sentido pagar para confirmar isso. Mas dois motivos mudaram minha visão: 1. Um amigo fez o teste e descobriu que sua maior ancestralidade vinha do leste da África — Moçambique, Quênia, Tanzânia. Eu nunca tinha imaginado essa rota, sempre associei os negros brasileiros da diáspora ao oeste africano (Angola, Nigéria, Benin, Senegal, Togo). Essa descoberta d...

Presente para Gláucia - escrito por Roberto Vaver

  Apesar de vir de uma família de pessoas brancas, convivi com pessoas negras desde a minha infância, mas pode ficar tranquilo que eu não partirei para o famoso clichê “não sou racista, até tenho amigos negros”, porque tenho consciência que a proximidade pessoal com pessoas negras não elimina o racismo que existe em nossa sociedade e que todos nós carregamos, mas o fato é que sempre convivi com pessoas negras, aprendendo a respeitar e a admirar estas pessoas, por serem pessoas dignas de respeito e admiração, independentes da cor da sua pele. A minha mãe sempre cobrou de mim que pedisse a benção a algumas pessoas negras que ela tinha em alta consideração e respeito, uma delas, inclusive, ela me ensinou a chamar de “vó” desde pequeno (“vó Dulce”), porque ela a considerava como uma mãe, por tê-la ajudado muito quando do nascimento de meus irmãos mais velhos e pela admiração que tinha por ela. Agora a Gláucia me pediu (como presente de aniversário....) que escrevesse um texto sobre c...

Entre Café, Dados, Prosas e Decisões Cotidianas

Afim de um café e uma prosa sobre gêneros? Escrever sobre desigualdade de gênero quando se tem lugar de fala me gera bastante receio de parecer vitimista. Mas aqui, o objetivo é outro: expor a realidade com honestidade e buscar caminhos possíveis para transformá-la. Sou mãe de um casal de adolescentes incríveis, e a vida me ensinou que educar com consciência de gênero é essencial. Não se trata de reforçar estereótipos, mas de reconhecer que meninos e meninas enfrentam desafios diferentes — e precisam de orientações específicas para lidar com o mundo e com os relacionamentos. Por exemplo, com meu filho, a conversa sobre segurança começa com a violência urbana, que estatisticamente atinge mais os homens. Já nos relacionamentos, ensino que ele deve tratar as meninas como gostaria que tratassem sua irmã. Falo sobre reciprocidade, respeito e limites, e que amor não combina com abuso — nem como vítima, nem como autor. Com minha filha, a segurança aparece desde cedo: na escolha da roupa...